Pular para o conteúdo
Educação financeira para a vida real.Disciplina hoje, mais escolhas amanhã.
Economia para a vida realNotícias e educação financeira

O que você quer entender?

Notícias e guias para encontrar seu próximo passo.

Voltar ao início
Comportamento financeiro

Mulheres investidoras têm melhores resultados? O que dizem os estudos

Pesquisas encontraram vantagem feminina em grupos de investidores. Entenda os resultados, o papel das decisões de compra e venda e os limites dessa comparação.

Mulher sentada à mesa de casa, com caneta e caderno aberto ao lado de um notebook.
Cena ilustrativa de uma mulher revisando seu planejamento financeiro em casa. Ilustração gerada por IA. Crédito: Colmeia / GPT Images.

Há estudos em que mulheres investidoras tiveram resultados melhores, em média, do que os homens. Mas a conclusão precisa vir acompanhada de contexto: quem foi observado, em qual mercado e durante quanto tempo.

Duas pesquisas ajudam a entender essa discussão. São trabalhos históricos, publicados em 2001 e 2018, e não um retrato do desempenho das investidoras brasileiras em 2026. O aprendizado está nos comportamentos analisados, sem transformar gênero em garantia de rentabilidade.

No Reino Unido, uma vantagem de 1,8 ponto percentual

Em junho de 2018, a Warwick Business School divulgou uma análise de 2.800 investidores acompanhados durante três anos. Nesse grupo, as carteiras das mulheres tiveram retorno anual médio 1,8 ponto percentual superior ao dos homens.

A comparação usou o FTSE 100, índice de ações britânicas, como referência: os homens ficaram 0,14 ponto percentual acima dele; as mulheres, 1,94 ponto. A diferença entre os dois resultados é de 1,80 ponto percentual.

Ponto percentual compara duas taxas. Em um exemplo apenas didático, passar de um retorno de 6% para 7,8% representa uma diferença de 1,8 ponto percentual. Esses valores não são os retornos absolutos do estudo nem uma previsão.

As mulheres negociaram, em média, nove vezes por ano, ante 13 entre os homens. Segundo a divulgação da universidade, a preferência por ações mais especulativas também diferenciava os grupos. Portanto, a explicação não se resume à quantidade de operações.

Um estudo clássico mostrou o custo de movimentar demais a carteira

Em artigo publicado em 2001 no Quarterly Journal of Economics, Brad Barber e Terrance Odean analisaram investimentos em ações de mais de 35 mil famílias em uma corretora dos Estados Unidos. O período observado foi de fevereiro de 1991 a janeiro de 1997.

O giro da carteira de ações — uma medida de quanto se compra e vende em relação ao patrimônio investido — foi 45% maior entre os homens. As negociações reduziram o retorno líquido anual em 2,65 pontos percentuais para eles e em 1,72 ponto para elas, na comparação feita pelos pesquisadores com a manutenção das posições.

Isso não significa que as carteiras tiveram prejuízo nesses percentuais. Significa que as operações diminuíram o retorno que teria sido obtido sem aquelas trocas. Os autores relacionam o resultado ao excesso de confiança; não mediram diretamente essa característica em cada investidor.

O que esses resultados não permitem afirmar

Esses recortes não demonstram que toda mulher investe melhor do que todo homem, nem que o gênero, sozinho, cause a diferença de desempenho. Também não medem o conjunto das pessoas que investem no Brasil.

Os estudos têm períodos, amostras e medidas diferentes. Não cabe somar os números nem tratá-los como uma vantagem anual garantida para o futuro. Na pesquisa de Barber e Odean, por exemplo, a classificação considerava quem abriu a conta da família, que nem sempre era quem tomava todas as decisões.

Retorno maior também precisa ser avaliado junto com o risco assumido. A CVM orienta que essa análise seja feita em conjunto: olhar apenas a rentabilidade deixa parte importante da decisão de fora.

O que levar para as suas decisões

A leitura prática da COLMEIA é usar essas pesquisas como convite para revisar hábitos. Antes de trocar um investimento, vale perguntar: meu objetivo mudou ou estou reagindo à vontade de acompanhar o movimento do mercado?

Seguir um plano não significa abandonar a carteira. A própria pesquisa de Barber e Odean reconhece motivos legítimos para negociar, como ajustar a distribuição dos investimentos. O cuidado é distinguir uma mudança necessária de uma movimentação sem critério.

Para começar essa revisão, a orientação da CVM é definir o objetivo, o prazo de uso do dinheiro, a necessidade de liquidez — a possibilidade de transformar o investimento em dinheiro — e o risco que faz sentido para você.

  1. Escreva para que o dinheiro será usado e quando você poderá precisar dele.
  2. Antes de uma compra ou venda, registre o motivo e confira os custos envolvidos.
  3. Avalie o resultado junto com o risco e com o seu objetivo, sem assumir que a média de um estudo prevê o seu retorno.

Conteúdo educacional. Não constitui recomendação individual de investimento. Regras, taxas e condições podem mudar; consulte a fonte oficial e avalie seu contexto.

Conteúdo educacional. Não constitui recomendação individual de investimento. Regras, taxas e condições podem mudar; consulte a fonte oficial e avalie seu contexto.

Continue aprendendo